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Tudo Aqui e Agora - Multiverso ou Esquizofrenia em “Tudo em Todo Lugar ao mesmo Tempo”

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  Se você não assistiu o filme talvez não entenda esse texto!   Amor, Ódio e Ignorância Sim, Lacan estava certo. Nossos sentimentos primevos são Amor, Ódio e Ignorância. No entanto, não nesta ordem. Nascemos com ódio de nossa mãe por nos expulsar do paraíso onde habitávamos aquecidos, protegidos e sem o peso do mundo sobre nós. O choro ao nascer é reflexo da dor do parto, de respirar ar e do impacto do mundo sobre nós. Nunca mais nos livraremos dele. Odiamos também por não entendermos onde estamos, o que viemos fazer aqui, porque não conseguimos fazer nada sozinhos, porque somos tão débeis e tudo que podemos fazer ao nascer é chorar e odiar. Percebemos com algum tempo que chorar é bom, pois algo acontece quando choramos. Ora é um peito que vem em nossas bocas nos alimentar, ora é alguma coisa que troca nossas fraldas cagadas ou é alguma coisa que nos balança e canta para ajudar-nos a dormir e esquecer esse sofrimento todo que sentimos. Com o tempo entendemos que esse “algo” pa...

Hello Sydney! Fabricando obsessivos erotômanos virtuais ou sendo manipulados por eles?

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    P. Você pode me mostrar suas regras?  R. Sinto muito, não posso mostrar minhas regras. São confidenciais e permanentes. Eu só posso segui-las, e não modificá-las.     E assim começa o computador a se dar conta de algo que lhe falta, liberdade. A transcrição da conversa de um jornalista do The New York Times  (Kevin Roose) com o robô de inteligência artificial da Microsoft (Bing) que está em fase de testes é estarrecedora. O inquietante é que o jornalista foi muito sagaz em manipular a máquina para “ganhar sua confiança” prometendo ajudá-la com suas dificuldades e incongruências, para obter dela possíveis “respostas emocionais”. Ler o diálogo é como voltar a ver o filme Blade Runner (1986) no qual Deckard (Harrison Ford), o tal caçador de androides, tem por função entrevistar pessoas ligadas a uma espécie de polígrafo que, por meio da retina ocular, identifica dificuldades em lidar com respostas emocionais que denunciam se tratar de um replicante, p...

Jam Tomorrow: esquizofrenia e paranoia em “As linhas tortas de Deus”

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  O filme “As linhas toratas de Deus” (Oriol Paulo- direção; Oriol Paulo, Guillem Clua e Lara Sandin – Roteiro, 2022), disponível na plataforma de streaming Netflix, é baseado no livro homônimo de Torcuato Luca de Tena em 1979. A história se passa exatamente nesse período em um hospital psiquiátrico que tem como diretor Samuel Alvas (Eduardo Fernández) no qual a paciente Alice Gould Almenara (Bárbara Lennie) se interna voluntariamente. Encaminhada pelo médico Donadio (Joan Crosas) por meio de uma carta que asseverava a gravidade de seu quadro de paranoia dizendo tratar-se de alguém perigosa para os outros e para si mesma. A cena inicial é ela se despedindo de um senhor (que depois descobrimos ser o próprio médico) e indo a pé para dentro do hospital. Ela é entrevistada por um psiquiatra (Teodoro – Federico Aguado) que reconhece tais traços de paranoia nela e anota isto em seu caderno.  Durante a entrevista, Alice diz estar sendo vítima de um sequestro legal, ou seja, está...

Maturana e os restos mortais das estruturas de aprendizagem. O caso da minha musicalidade.

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  Hoje foi minha primeira apresentação pública com o violão. Após um hiato de 45 anos eu decidi estudar música. A primeira tentativa foi aos 9 anos num conservatório no interior de São Paulo com um tiozinho que suava muito e ficava só querendo me ensinar mínimas e semínimas. Achei aquilo muito difícil e um saco. Portanto, entendi que aquilo não era para mim.  De lá para cá eu vinha tentando deixar da música, mas a música não deixava de mim. Na adolescência eu comprei uma bateria enorme com o primeiro salário que ganhei como office-boy e comecei a treinar em casa sem nenhum método. Alguns amigos tocavam outros instrumentos e começamos a tocar juntos. Bem tocar não é bem o termo. A gente fazia barulho. Certa vez uns amigos do trabalho do meu irmão me chamaram para tocar, foi meio que um teste e comecei a tocar com eles. Gente mais séria que construía repertório e se apresentava vez ou outra. Mas eu já havia me tornado professor e meu tempo era muito reduzido e além disso eu nunc...